Projeto Educativo


"Uma escola para a independência e para a responsabilidade"

Consideramos essencialmente o Homem como um ser de relação, fortemente determinado pela sua vida afetiva.

Apraz-nos sobrelevar as suas caraterísticas de sujeito criador e com capacidade crítica. Tal como o direito à existência, esses direitos (de criação e crítica) são  fundamentais e só no seu exercício o Homem se pode tornar verdadeiramente um ser responsável e independente perante os direitos e os deveres, ou seja, preservando a sua personalidade face a possíveis ímpetos massificadores ou alienantes de alguns sistemas.

A educação vai resultar da interacção indivíduo-ambiente.

Sabemos que numa sociedade em mudança como aquela em que vivemos, a simples transmissão de conhecimentos é insuficiente.

O Homem precisa de desenvolver plenamente a sua capacidade de iniciativa, de criação, de pesquisa, de solidariedade. Só assim ele poderá ser capaz de se adaptar, de intervir e também de transformar.

Uma ação educativa bem conseguida dará ao adulto: a possibilidade de se auto-realizar e simultaneamente de formar uma consciência social atuante.

No início dos anos '60 – face a uma Escola em que a passividade do aluno, associada à memorização ou à selecção das respostas desejadas ou esperadas pelo mestre era considerado modelo excelente – a síntese dos objetivos pedagógicos do Jardim-Infantil Pestalozzi era apresentada desta forma: ESCOLA PARA A INDEPENDÊNCIA E PARA A RESPONSABILIDADE.

Isto implicava fundamentalmente:
• respeito pelas caraterísticas individuais e pela expressão própria da criança;
• estímulo e apoio na progressiva descentração da criança em si mesma, tendente à compreensão do outro e reconhecimento e respeito dos direitos de todos;
• estímulo e apoio à iniciativa própria e ao desenvolvimento do sentido da responsabilidade pelos compromissos assumidos .

Esses princípios continuam presentes na nossa orientação pedagógica e, precisando mais explicitamente o nosso projeto pedagógico, caraterizamo-lo como um projeto assente:
• numa pedagogia centrada na comunicação;
• na organização de aprendizagens significativas.

 

Pedagogia centrada na comunicação

Pressupõe:

• relacionação afetiva positiva entre os membros do grupo-classe (professor e alunos) ou seja, decorrente do respeito por todas as crianças na sua individualidade;
• estimulo à comunicação e interação entre o professor, as crianças e as famílias, numa perspetiva de valorização das experiências e das formas de expressão;
• estímulo ao processo de socialização da criança no seu desenvolvimento afetivo, moral e social, posicionando-a como ser progressivamente autónomo, respeitador dos sentimentos e dos direitos dos outros, capaz de entender os diferentes pontos de vista, bem como afirmar as suas próprias convicções;
• o desenvolvimento de capacidades e o domínio de instrumentos que vão permitir à criança passar da ação, do real, do concreto, à atividade simbólica, ascendendo a formas de comunicação cada vez mais elaboradas, possibilitando-lhe um melhor conhecimento e compreensão do homem e do mundo em que vive.

 

Aprendizagens significativas

consideram-se aquelas que:

• partem da ação e das experiências pessoais da criança;
• têm em conta os interesses da criança e do seu grupo;
• se desenvolvem no quadro de projetos definidos e reconhecidos pelo grupo professor-alunos, como respondendo às suas necessidades e interesses.

 

Os objetivos da ação pedagógica

a desenvolver são os seguintes:

• que a criança mantenha e desenvolva o gosto pela descoberta;
• que a criança desenvolva a sua capacidade de cooperação;
• que pelo exercício da criatividade e do conhecimento objetivo das realidades, a criança se torne um ser criador, autónomo, responsável e, porventura, transformador.

De entre os MEIOS DE AÇÃO PEDAGÓGICA Destacamos:

1. Atividades de livre expressão, partindo da exploração de materiais e tendo em conta o domínio progressivo de diversos instrumentos.
2. Contacto com o meio físico e social, de modo a permitir uma aprendizagem com a vida real, e ainda como motivação para aquisição de instrumentos básicos do conhecimento.
3. Plano de trabalho, tendo em consideração os interesses e desenvolvimento global da criança: individual; coletivo: grupo-classe ou pequeno grupo, (Numa fase inicial o registo do trabalho deverá preceder o plano.)
4. Execução das tarefas planeadas, perante as quais foi assumido um compromisso.
5. Sequência nas aquisições de nível cognitivo, tendo em conta a evolução do grupo e das suas aprendizagens.
6. Consciencialização, por parte das crianças, de que aprendem por si próprias e umas com as outras.
7. Elaboração, pelas próprias crianças, das regras de convívio e de trabalho, sentida a sua necessidade.
8. Discussão de «problemas» que ocorrem no grupo e formulação de eventuais soluções.
9. Ausência de prémios e castigos, no sentido em que vulgarmente são usados.
10. Ausência de classificações, quer a nível de trabalhos quer a nível de comportamento, substituídas pela auto-avaliação e avaliação mútua.
11. Designação de responsáveis por determinadas tarefas.
12. Cooperação na organização da vida da própria instituição educativa e participação na resolução de questões que dizem respeito à comunidade.
13. Jornal de parede e assembleia de turma.

 

Outras atividades de caráter social a desenvolver

1. Arrumação e embelezamento das salas e outros espaços comuns.
2. Pequena biblioteca
3. Corrrespondência e jornal escolar
4. Organização de ações cooperativas para fins determinados
5. Visitas e pesquisas
6. Festas
7. Relação escola-família.

 

A metodologia

• consiste em, tanto quanto possível, integrar em situações de aprendizagem as ações e experiências ocorridas naturalmente ou provocadas pelo educador; situações que permitam à criança fazer um percurso que vá da ação concreta sobre o real à actividade simbólica, progressivamente elaborada e diversificada, e da centração sobre si própria às relações inter-individuais;
• a qualidade das situações é avaliada pelo interesse e participação das crianças, expressos por:

- atitudes de curiosidade e de observação;
- manifestações de compreensão e pesquisa;
- prazer em relacionar elementos;
- acesso a novas formas de agir e de pensar;
- gosto em imaginar e criar;
- alegria em comunicar e cooperar.

 

Conceitos subjacentes

• a criança cresce e desenvolve-se através de um processo de maturação biopsicológica;
• o desenvolvimento intelectual, social e moral insere-se no processo de crescimento e resulta da interação do indivíduo com o meio ambiente;
• a aprendizagem é um processo de construção pessoal de cada criança que ocorre a partir do seu contacto com os objetos, pessoas e acontecimentos; na criança, os conceitos são criados através das ações sobre os objetos; a primeira via para o conhecimento é a ação e não a linguagem;
• através dos comportamentos, podemos inferir acerca da aprendizagem e acerca do desenvolvimento; temos de estar prevenidos de que certos desempenhos, ou seja, aspetos observáveis da atividade mental, tanto podem refletir aprendizagem com compreensão como aprendizagem resultante, sobretudo, ou exclusivamente, da memorização.